terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Vida é natureza


Vivi entre quatro paredes,
Medrando, temendo, medrosa;
Sofri muito mais por pensar
Que a vida é só isso: paredes.

A vida é o verde, o azul, o vermelho;
A vida é essa grama, esse céu, esse lago.
A vida está além da cidade cinzenta;
Vida é essa beleza,
Vida é natureza.

(Rosely T. Sales)
Matança

Cipó caboclo tá subindo na virola
Chegou a hora do pinheiro balançar
Sentir o cheiro do mato da imburana
Descansar morrer de sono na sombra da barriguda
De nada vale tanto esforço do meu canto
Pra nosso espanto tanta mata haja vão matar
Tal mata Atlântica e a próxima Amazônica
Arvoredos seculares impossível replantar

Que triste sina teve cedro nosso primo
Desde de menino que eu nem gosto de falar
Depois de tanto sofrimento seu destino
Virou tamborete mesa cadeira balcão de bar
Quem por acaso ouviu falar da sucupira
Parece até mentira que o jacarandá
Antes de virar poltrona porta armário
Mora no dicionário vida eterna milenar

Quem hoje é vivo corre perigo
E os inimigos do verde da sombra o ar
Que se respira e a clorofila
Das matas virgens destruídas vão lembrar
Que quando chegar a hora
É certo que não demora
Não chame Nossa Senhora
Só quem pode nos salvar é

Caviúna, cerejeira, baraúna
Imbuia, pau-d'arco, solva
Juazeiro e jatobá
Gonçalo-alves, paraíba, itaúba
Louro, ipê, paracaúba
Peroba, massaranduba
Carvalho, mogno, canela, imbuzeiro
Catuaba, janaúba, aroeira, araribá
Pau-fero, anjico, amargoso gameleira
Andiroba, copaíba, pau-brasil, jequitibá.

(Poesia de Jatobá musicada por Xangai)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Poema: Lugar

Lugar

Lá no fim desse mundão
Onde o vento faz a curva
De onde vem o furacão
Lá no início do horizonte
Bem no fim do grande monte
Num lugar cheio de beleza
Vive a Mãe Natureza.

André Lima (meu irmão, rs!)